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Teresa Azevedo

Mulher menina prosa e verso

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Meu Diário
15/02/2010 12h53
Dia 12 e 13/02/2010
Dia 12/02/2010 uma amiga me ligou que a mãe estava tendo ora uns momentos de depressão, ora raiva e ora momentos de apatia. Não conversava, não vinha comendo, nem tomando água e nem sequer urinando. A levamos ao Pronto Socorro da UNICAMP. Foram momentos muito ruins e difíceis para nós três. Minha amiga estava fragilizada, acabou passando mal e eu acabei ficando com ela e com a mãe, tendo que ser forte e estando em ruínas. O Pronto Socorro estava lotado, a demora no atendimento era muito grande mesmo tentando agilizar no que pude. Lutando contra minhas mazelas emocionais para poder ajudar as duas, eu fui me enchendo de medos, nervoso, lembranças guardados. Foi algo tão difícil e doloroso, mas acabei conseguindo ficar ali até o final. Claro que vi tantas outras coisas horríveis, mas o pior foi um garoto que não parava de chorar por ter que passar por uma cirurgia. Meu peito batia forte, o ar era pouco e eu só queria sair dali. Ele tinha a idade do meu filho caçula e havia batido o testículo na bicicleta. Procurei acalma-lo como a mãe e todos ao redor tentavam, mas ele chorava compulsivamente. Como eu já estava emocionalmente abalada com tudo, ouvi-lo chorar sem parar acabou comigo. Finalmente fomos embora mais de 2 da madrugada, sendo que havíamos chegado por volta das 19 h. Foram horas terríveis, mas a mãe dela parecia ter melhorado com um diasepan. Colheram exames de sangue, urina e rx. Após eu ter chego em casa tomei um banho e lavei minha cabeça, meu cansaço era tamanho que dormi com ela molhada mesmo. Dormi muito, mas tive pesadelos a noite e acordei agitada. Meu grau de nervosismo era grande no domingo. Liguei para minha amiga para saber como estavam as coisas e fiquei triste ao saber que a mãe estava tendo as mesmas crises. Mas tarde quando eles voltaram ao Pronto Socorro souberam que  tinha sido constatada uma infecção urinária bem adiantada e que isto havia deflagrado o problema psíquico, provavelmente já existente nela. A idéia de que o remédio para infecção também ajudaria a melhora psicológica era um conforto. De qualquer modo fiquei com elas na cabeça o dia todo. Ela fora encaminhada ao postinho, mas o mesmo só voltará a funcionar na 5ª feira. Liguei para ela hoje e a situação continua na mesma, aliás, só se agrava.
Teríamos o encontro do Grupo que faço parte aquela noite. Seria na casa de uma de nossas amigas e liguei para ela para ver o que eu deveria fazer. Ela pediu que ajudasse fazendo os convites e assim fiz algumas ligações e ela outras.
Precisava levar meu filho caçula. Ele não queria uma vez que já tinha combinado de sair com o amigo e mesmo eu propondo de levar o amigo ele ficou aborrecido por eu mudar seus planos de última hora. Normalmente eu os deixo sair sozinhos, mas era carnaval e as pessoas ficam alteradas nestes dias. Preocupo-me por ele ser novo ainda. Consegui convence-lo a ir comigo e disse que faríamos um cachorro quente especial para eles, para as filhas da minha amiga e a neta de outra delas. O pai do amigo do meu filho é muito rígido e quer saber detalhes sobre a hora que saem e a que horas voltam. Sendo que neste dia deu um limite máximo de horário mesmo estando comigo. Para mim seria fácil dizer isto se tivesse um carro a minha disposição, mas não tendo é bem complicado. Então fui tentando contornar as coisas. Nós teríamos que traze-lo no máximo até as 23:30, concordei mesmo que tivesse que pedir um táxi para isto. Aliás, a falta de carro me deixou presa para providenciar as coisas. Tentei encontrar meu filho casado para pedir que me levasse e nada. Amarguei meu nervoso até que minha amiga chegasse, pois queria preparar tudo para eles logo. Estava muito estressada querendo organizar o cachorro quente e não tendo como comprar as coisas. Era muita coisa para eu carregar sozinha. Minha amiga viria me pegar, mas só mais tarde, pois estava cuidando de outras coisas para o encontro também. Eu fiquei imaginando as pessoas chegando sem ter nada pronto. Depois tivemos uma mudança do cardápio. Senti uma ansiedade e desespero que creio ficaram mais intensos pela carga do dia anterior. Mas eu não estava bem para isto, sinceramente preferiria não pensar em nada disto. Acabei indo fazer as compras depois das 19 h quando minha amiga pode vir me buscar.
Chegando lá fui para cozinha, mas estava insegura. É horrível estar cozinhando na casa de outra pessoa.  Você não conhece nada e fica totalmente perdida. Como podem perceber no sábado tudo era problema para mim. No final tudo se ajeitou.
Eu não diria que tenha sido tudo ótimo pois não foi, mas ao menos tivemos nosso encontro e no dia seguinte eu consegui descansar o dia todo. Hoje estou bem melhor.

Desenho feito por Rafael no Paint

Publicado por Teresa Azevedo em 15/02/2010 às 12h53
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